CRÔNICA | MELHOR SOZINHA

Crônica escrita por Maria Carolina*

Bruna despertou.
Olhou e não soube ao certo quem era aquele homem que dormia ao seu lado. Mesmo passando quase o tempo todo junto, aquele ali dormindo não parecia em nada com o homem por quem ela havia se apaixonado há dois anos atrás.

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Foi uma paixão fulminante regada a vinho, mas agora parecia uma ressaca.

Dominada por uma apatia ela não quis acordá-lo, muito menos abraçá-lo, desejou fechar os olhos e desaparecer com aquele homem. Ela tentou, mas aquilo não era um sonho do qual ela podia despertar, era a vida real.

Levantou de fininho da cama, se vestiu rapidamente e saiu. Levou consigo aquilo que ela conhecia bem, seu cachorro, seu cigarro e seu diário.

Passou muito mais que quatro horas sentada dividindo sua atenção entre a paisagem, seu cachorro brincando e a leitura de seu diário. Relembrou os momentos que haviam passados juntos, alguns momentos de muito amor e cumplicidade, e também algumas fases de dor e angustia.

Se sentindo uma refém das lembranças, ela fechou seu diário e pensou em como seria sua vida sozinha, não viu nenhum problema em estar sozinha e se pegou com um sorriso no rosto.

Quando seu fiel companheiro a chamou para ir para casa ela percebeu quanto tempo havia passado.

No caminho para casa com olhar perdido se deu conta de que aquele era um bom homem para se amar, mas a pessoa da vida dela era ela mesma.

Não quis mais viver uma relação baseada no passado, onde os sentimentos ficaram na lembrança e decidiu construir um futuro só seu, onde seus sonhos e planos serão só seus

No dia seguinte acordou com um raio de sol em seu rosto e sozinha, respirou fundo e agradeceu por sua liberdade.

Sem arrependimentos seguiu a vida dedicando seu a amor a si mesma.

*Maria Carolina tem 21 anos é estudante e escreve crônicas, pois não consegue guardar todo esse sentimento

Imagem Helen Korpak

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Comentários

  1. Uma boa crônica. Sempre gostei de ler crônicas, bom saber que aqui tem espaço também para elas. E esta a meu ver reforça o sentimento de que temos que nos bastar. Temos que ser suficientes a nós mesmos buscando no outro um complemento e não nossa própria essência.