DEDICAÇÃO E ONDE ESTÁ A RECOMPENSA?

Já faz um tempo que eu deixei de postar aqui, nesse tempo eu também deixei de lado a dedicação à várias coisas que faziam parte da minha rotina. As atividades pararam de fazer sentido, pois eu havia focado todas as minha energias em um projeto que eu julgava essencial. Me dediquei pensando que esse projeto daria o tão sonhado rumo na minha vida.

Então adaptei a rotina, cancelei todas as redes sociais, deixei muita gente e outros projetos de lado,  só que com isso eu também deixei um pouco de mim de lado.

Quando o projeto não deu certo, eu vi que muito havia sido em vão.

Alguns dizem que quando a gente se entrega para alguma coisa, o processo é a melhor recompensa. O processo te transforma, você nunca mais será como antes. Porém, ninguém te fala que existe a possibilidade do percurso mudar aquilo que você não quer mudar.

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Sempre lidei bem com as mudanças e percalços da vida, mas essa me doeu e tudo perdeu a cor. Me senti incompetente e foi horrível. O processo transformou minha confiança, esperança e motivação em algo como “será que vale a pena mesmo?” que me bloqueou de todas as formas possíveis. Onde está a recompensa?

No meio acadêmico, também no meio criativo você tem que dar tudo de si, se entregar por completo. Pelo menos é isso que o meio espera de você e é esse o tipo de cobrança comum.

Olhando para trás nos vemos que os grandes nomes das ciências, das artes e da moda foram aqueles que mergulharam profundamente em suas ideias. A trajetória desses grandes nomes sempre contam de suas glórias e confiança em defender suas teses e ideias, mas será que em algum momento eles não se questionário sobre estar seguindo o caminho certo? Isso a história não conta.

Por que eu estou falando isso? Porque precisamos problematizar essa dedicação.

É muito comum ouvir “ah, mas você não se dedicou bastante”.

E francamente, as vezes nos dedicamos sim. Dedicação não sobre o quanto o outro acha, e sim sobre o quanto você se doou. E isso, somente você é capaz de medir.

Um projeto, um trabalho, uma pesquisa, uma obra de arte não pode ser baseada apenas em sofrimento, angustia e cobrança. Tá certo que grandes obras foram baseadas nessa dor, mas eu acredito que o ato de conseguir transmitir sua dor para uma tela, escultura, poesia, ou outro objeto de arte traz satisfação, alivio. Não é só angustia!

Outro dia eu ouvi de Charles Watson a expressão “sol na barriga” e fiquei emocionada. Ele havia cunhado um termo para quando você se enche de motivação e criatividade quando nasce uma ideia.

Eu fiquei me perguntando “o quanto o meu sol na barriga está brilhando?”. Sinceramente eu acredito que ele esteja bem fraco, mas ao olhar para trás vejo que talvez ele tenha perdido sua força aos poucos.

Toda vez que eu deixava minha essência para trás e tentava me enquadrar no que era esperado ele perdia a força. Toda vez que eu permiti que o sentimento ruim fosse maior que a satisfação ele perdia mais brilho.

Por que eu estou falando isso? Por que é muito fácil que isso aconteça com qualquer um, fique atenta aos sinais!

 

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