LEMBRANÇAS E IDENTIDADE

Tenho medo de perder a memória. Só porque é lá que eu me encontro, as lembranças é onde eu busco refúgio e consigo encontrar a mim mesma.

Cada vez menos paramos para lembrar sobre nosso passado, às vezes as lembranças vêm e passam rapidamente. Nesse mundo corrido, fugaz, efêmero quem tem tempo a perder lembrando coisas que já passou?

“Devemos olhar pra frente”, “o que passou, passou” são frases comuns que colocam nosso foco no presente e no futuro. Mas, se alguém sem memória se sente sem identidade, alguém que não se lembra, fica sem identidade também?

lembranças

Lembranças: se revisitar faz parte da construção constante do ser

Como, por exemplo, eu poderia dizer hoje “eu gosto do cerrado” se não me lembrasse das viagens de ônibus à Brasília quando criança?
À noite eu podia ver a paisagem mineira cheia de montanhas e recortes se transformando a cada quilômetro dos 1500 km que separam Juiz de Fora de Brasília.

No amanhecer a paisagem já era outra e podíamos sentir a potência do Sol no horizonte e mesmo sem fazer essa viagem há muitos anos, eu posso fechar os olhos nesse minuto consigo me lembrar do sol tocando minha pele pela janela do ônibus e do cheiro do ar quando eu descia do ônibus.

Lembranças da minha infância como essas das viagens à Brasília têm surgido espontaneamente na minha mente em diversos momentos. Faço questão de aproveitar o momento e tentar repetir as lembranças o máximo possível. Só para fixar mais e não ter o risco de esquecer quem eu sou.

Sabendo quem se é, se vive um presente melhor. Vivemos nossa realidade nos espelhando em nos mesmos e não em outras pessoas. Criamos nosso próprio modelo de vida e nossa identidade própria aprendendo com erros e acertos, revisitando momentos e se encontrando em si.

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