QUANTO MAIS INVISÍVEL MELHOR

Outro dia assistindo ao vídeo “Puberdade, postura e uma cubana” da JoutJout, percebi uma pequena grande semelhança entre nos.

Julia tem 25 anos e eu tenho 28, vivemos um pouco em um mundo pré-internet banda larga. Eu usei modem discado por muito tempo, tinha um Pentium 2 com 233 MHz de memória e ainda assim vivia no falecido IRC, chats, brinquei de Dolls, fazia vários sites bem maneiros com gifs de purpurina e cursor animado.

Ou seja tô pré-histórica na web, mas ainda assim, mesmo vivido a era de ouro do Fotolog – e eu tinha até vários seguidores – nunca consegui me reconhecer como alguém que almeja fama na internet.

Mas voltando ao vídeo da Julia… Ela comentou que na pós-adolescência e adolescência dela a pior coisa que alguém podia acontecer com alguém era “se achar”. Pois bem, esse sentimento comum também era presente na minha época de escola.

Quanto mais invisível melhor, era uma dor postar uma foto no fotolog mais bonitinha e pensar nos comentários “tá se achando”, evitei várias publicações por causa disso. Se arrumar um pouquinho mais pra ir pra escola ou fazer qualquer coisa que pudesse destacar também eram problemas.

Aparentemente existia um sentimento coletivo de humildade onde ninguém queria ser melhor que o outro, até mesmo quem ficava de ostentação com caneta de tinta dourada ou com perfume não era bem visto.

Rolava bullying também, claro que rolava, e era mais um motivador para que eu e outros quiséssemos nos manter na invisibilidade.

Muitos anos passaram, e eu ainda considero me manter na invisibilidade. As vezes faço uma coisa muito legal, participo de um projeto maravilhoso, tenho confiança no que eu crio, produzo, mas não consigo “me achar”. Essa humildade é qualidade? É, mas atrapalha muito quando temos que nos promover.

Eu conversei com mais 4 pessoas maravilhosas sobre isso e compartilhamos do mesmo sentimento.

No lado B dessa minha vida humilde, sou rodeada de pessoas que “se acham” sem motivo algum. Que ego é esse? Que auto-estima é essa que faz a pessoa achar que é famosa, estrelinha brilahnte, totalmente especial sem motivo algum?

Andy Wharol falou certa vez que “todos terão seus quinze minutos de fama”, tudo bem gente, mas não seria melhor se essa fama viesse em forma de reconhecimento por algo do que simplesmente fosse criada em cima de personalidades vazias.

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